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Copom corta Selic pela terceira vez seguida e confirma tendência de queda dos juros no Brasil

Hana Korisawa
junho 23, 2026 7 Min de leitura
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Copom corta Selic pela terceira vez seguida e confirma tendência de queda dos juros no Brasil
Copom corta Selic pela terceira vez seguida e confirma tendência de queda dos juros no Brasil
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Decisão unânime levou a taxa básica a 14,25% ao ano, mas incerteza com inflação e guerra no Oriente Médio mantém cautela no horizonte

O Banco Central do Brasil anunciou na semana de 16 de junho de 2026 mais um corte na taxa Selic, desta vez de 0,25 ponto percentual, levando os juros básicos de 14,5% para 14,25% ao ano. A decisão foi tomada por unanimidade pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em sua 279ª reunião e representa a terceira redução consecutiva desde março, quando o Copom deu início ao atual ciclo de afrouxamento monetário após manter os juros em 15% ao ano, o maior patamar em quase 20 anos, de junho de 2025 a março de 2026.

Contents
Decisão unânime levou a taxa básica a 14,25% ao ano, mas incerteza com inflação e guerra no Oriente Médio mantém cautela no horizonteA decisão e seus fundamentosImpacto no dia a dia dos brasileirosO que vem por aí no segundo semestre

Apesar do alívio, o cenário que cercou a decisão está longe de ser tranquilo. A inflação projetada para 2026 passou dos 5% nas estimativas do mercado financeiro e segue acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 4,5%. O conflito armado no Oriente Médio continua pressionando os preços de combustíveis e alimentos, dois dos principais componentes da inflação no Brasil. Mesmo assim, o Copom entendeu que havia espaço para mais um corte, com cautela.

A decisão impacta diretamente o custo do crédito, os rendimentos de investimentos de renda fixa e a dinâmica da economia como um todo. Entender o que motivou a escolha do Copom e o que ela significa para os próximos meses ajuda a ter uma leitura mais clara do momento econômico do país.

A decisão e seus fundamentos

O Copom justificou o corte com base na avaliação de que os indicadores correntes de atividade econômica mostram recuperação em relação ao último trimestre de 2025, mas apontam para uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026. Em outras palavras, a economia está crescendo menos do que poderia, o que abre espaço para afrouxar os juros sem correr o risco de superaquecer a demanda e piorar a inflação.

Em comunicado oficial, o Copom afirmou que as expectativas de inflação “aceleraram, distanciando-se da meta”, com projeções para 2026 e 2027 situadas em 5,3% e 4,1%, respectivamente. Mesmo com esse distanciamento, o comitê avaliou que o corte era compatível com a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, horizonte relevante para a política monetária. A instituição também reafirmou que os passos futuros dependerão de novos dados econômicos, especialmente sobre inflação e atividade.

Um ponto de atenção institucional foi a composição incompleta do Copom. Os mandatos de dois diretores do Banco Central expiraram em 2025 e, até a data da reunião, o presidente Lula ainda não havia enviado ao Congresso Nacional as indicações dos substitutos. Essa situação gerou um desfalque formal no comitê em mais de uma reunião consecutiva, o que alimentou debates sobre a autonomia e o funcionamento do BC.

Impacto no dia a dia dos brasileiros

A queda da Selic tem efeitos concretos sobre o bolso de quem tem dívidas e sobre quem poupa. No lado do crédito, juros básicos mais baixos costumam se traduzir, com alguma defasagem, em financiamentos e empréstimos mais baratos. Contudo, a transmissão desse alívio não é imediata: os bancos ajustam suas taxas gradualmente, e quem já tem contratos em andamento pode não sentir o efeito de imediato.

No campo dos investimentos, a renda fixa segue atraente, mas o rendimento vai diminuindo à medida que a Selic cai. Títulos como o Tesouro Selic acompanham a taxa básica em tempo quase real, enquanto produtos prefixados e indexados ao IPCA oferecem alternativas para quem busca travar taxas ou se proteger da inflação. A B3 e o Tesouro Nacional disponibilizam ferramentas públicas para que investidores consultem as condições de cada título antes de tomar decisões.

Para a economia em geral, juros mais baixos estimulam o consumo e podem impulsionar a atividade econômica, especialmente em setores sensíveis ao crédito, como construção civil e varejo. O efeito pleno, porém, depende de que a inflação não volte a acelerar, o que ainda é uma incógnita dado o cenário internacional.

O que vem por aí no segundo semestre

O boletim Focus da semana anterior à reunião projetava que a Selic encerraria 2026 em 13,5% ao ano, o que implicaria novos cortes ao longo do segundo semestre. O ritmo e a frequência dessas reduções, contudo, dependem de como a inflação se comportará nas próximas leituras do IPCA e de como o conflito no Oriente Médio evoluirá.

O Banco Central sinalizou que monitorará de perto os efeitos já materializados da guerra sobre os preços e que o processo de calibração da taxa será guiado por dados, não por expectativas. A próxima edição do Relatório de Política Monetária, prevista para o fim de junho, deve trazer projeções atualizadas que vão pautar as análises do mercado nas semanas seguintes.

Por enquanto, o recado do Copom é claro: os juros estão caindo, mas devagar e com muita atenção. Para o brasileiro comum, isso significa que o crédito vai ficando mais acessível, os investimentos vão exigindo mais atenção e o cenário pede informação antes de qualquer decisão financeira.

Fontes: Agência Brasil – decisão de junho | Agência Brasil – reunião de junho | Banco Central do Brasil

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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