A segunda edição da Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB) deve entrar em consulta pública a partir de 20 de outubro de 2026. O lançamento foi anunciado pelo Ministério da Fazenda e representa uma nova etapa para a ferramenta criada com o objetivo de classificar atividades econômicas relacionadas à transformação ecológica e ao desenvolvimento sustentável do país.
Na prática, a taxonomia funciona como uma referência para indicar quais atividades podem ser associadas a determinados objetivos ambientais, sociais e econômicos. A proposta é oferecer critérios mais claros para empresas, instituições financeiras, investidores e órgãos públicos que analisam projetos, operações de crédito, fundos e outras formas de direcionamento de recursos.
O evento de lançamento está previsto para ocorrer das 14h às 17h30, no Auditório Celso Furtado, localizado no Bloco K da Esplanada dos Ministérios, em Brasília. A programação também terá transmissão pelo canal do Ministério da Fazenda no YouTube, segundo o Ministério da Fazenda.
O que muda na nova edição
A atualização deverá ampliar o escopo temático da TSB. Entre os novos objetivos previstos estão a proteção da biodiversidade e dos ecossistemas, o uso sustentável do solo, o estímulo à economia circular e a redução das desigualdades regionais e territoriais.
Esses temas abrangem diferentes dimensões da atividade econômica. A proteção da biodiversidade relaciona-se à conservação dos ecossistemas; o uso sustentável do solo envolve a forma como áreas produtivas e naturais são utilizadas; e a economia circular busca reduzir desperdícios e favorecer o aproveitamento mais eficiente de materiais e recursos. Já a dimensão regional e territorial acrescenta à análise a preocupação com diferenças no desenvolvimento entre localidades.
A incorporação desses objetivos pode ampliar o número de setores e projetos avaliados sob a ótica da sustentabilidade. Também pode ajudar a organizar uma linguagem comum para participantes do mercado que precisam identificar a relação entre determinada atividade e metas de transformação ecológica.
Por que a taxonomia interessa aos investimentos
Para investidores e instituições financeiras, critérios de classificação podem servir como uma camada adicional na análise de oportunidades e riscos. Fundos, títulos, projetos de infraestrutura e empresas que buscam financiamento podem ser avaliados não apenas por indicadores financeiros, mas também pela compatibilidade de suas atividades com objetivos ambientais e sociais definidos na taxonomia.
Isso não significa que a presença de uma atividade em uma taxonomia represente garantia de rentabilidade, segurança ou recomendação automática de investimento. A ferramenta deve ser entendida como uma referência técnica e regulatória para apoiar avaliações, enquanto decisões financeiras continuam dependendo de riscos, prazos, condições de mercado, governança e características específicas de cada operação.
Para empresas, a atualização também pode influenciar a forma de estruturar projetos e apresentar informações a bancos, fundos e demais agentes de financiamento. Instituições financeiras, por sua vez, podem utilizar critérios mais definidos para comparar propostas e avaliar se determinados recursos estão relacionados a atividades alinhadas à transformação ecológica.
Consulta pública ainda pode receber contribuições
Um ponto importante é que o lançamento de 20 de outubro marca o início da consulta pública, e não necessariamente a conclusão definitiva de todos os critérios. A abertura desse processo permite que os parâmetros apresentados sejam conhecidos e recebam contribuições antes da consolidação da nova edição.
Essa etapa é relevante porque a classificação de atividades sustentáveis envolve diferentes setores econômicos e realidades regionais. A participação de empresas, investidores, instituições financeiras, especialistas e órgãos públicos pode ajudar a identificar dúvidas, aperfeiçoar critérios e tornar a aplicação da ferramenta mais clara.
Com regras mais detalhadas, a TSB também poderá contribuir para reduzir interpretações divergentes sobre o que deve ser considerado um investimento sustentável. Essa maior clareza é importante para a transparência do mercado e pode dificultar a apresentação de iniciativas como ambientalmente responsáveis quando não houver correspondência concreta entre a divulgação e as características do projeto.
Próximos passos para o mercado
A consulta pública deverá ser acompanhada por agentes que atuam na estruturação de investimentos, na concessão de crédito, na elaboração de projetos e na divulgação de informações ambientais e sociais. O interesse tende a abranger tanto organizações diretamente ligadas à agenda ambiental quanto setores que dependem de recursos para modernização e adaptação de suas atividades.
Para o investidor, o principal ponto de atenção será compreender como os novos objetivos serão definidos e aplicados. A segunda edição poderá oferecer referências mais amplas para analisar biodiversidade, uso do solo, circularidade e desigualdades territoriais, mas seus efeitos concretos dependerão dos critérios finais e da forma como empresas e instituições financeiras os incorporarão às suas práticas.
O lançamento previsto pelo Ministério da Fazenda coloca a Taxonomia Sustentável Brasileira novamente no centro do debate sobre financiamento da transformação ecológica no país. A consulta pública será, portanto, a oportunidade para acompanhar quais atividades estarão contempladas, como os objetivos serão detalhados e de que maneira a classificação poderá influenciar a alocação de capital no Brasil.