A indústria brasileira de fundos de investimento acumulou captação líquida de R$ 251,7 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, segundo levantamento divulgado pela ANBIMA. O resultado representa a diferença positiva entre os recursos aplicados pelos investidores e os valores resgatados no período. Considerando os nove primeiros meses do ano, esse foi o segundo melhor desempenho da indústria nos últimos cinco anos, atrás apenas dos R$ 305,1 bilhões registrados entre janeiro e setembro de 2024.
O desempenho mostra que os recursos continuaram entrando no segmento mesmo em um ambiente de incertezas econômicas e maior seletividade dos investidores. A distribuição, porém, ocorreu de forma desigual entre as classes. Os fundos de renda fixa lideraram com folga, enquanto produtos ligados ao crédito, à renda variável estruturada e aos índices negociados em bolsa também registraram entradas relevantes. Em sentido oposto, fundos de ações, multimercados e previdência encerraram o intervalo com saldo negativo.
Renda fixa responde pela maior parcela
Os fundos de renda fixa receberam R$ 136,1 bilhões em captação líquida no acumulado até setembro. A categoria foi favorecida pelo ambiente de juros elevados, que tende a ampliar a atratividade relativa de estratégias baseadas em títulos públicos e outros instrumentos de renda fixa. Dentro desse grupo, os fundos classificados como de duração alta soberano, compostos exclusivamente por títulos públicos federais, apresentaram retorno acumulado de 10,5% até setembro, o melhor resultado entre as categorias de renda fixa analisadas pela ANBIMA.
O dado de rentabilidade, no entanto, não deve ser confundido com garantia de resultado para todos os produtos da categoria. Fundos de renda fixa podem apresentar diferenças relevantes de composição, prazo, liquidez, risco de crédito, sensibilidade às taxas de juros e custos. A captação líquida também não mede, isoladamente, o desempenho de uma carteira: ela indica apenas o fluxo de entrada e saída de recursos em determinado intervalo.
FIDCs e ETFs ganham espaço entre os investidores
Depois da renda fixa, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, conhecidos como FIDCs, registraram R$ 56 bilhões em entradas líquidas. Os fundos investem em direitos creditórios, como recebíveis, e possuem estruturas próprias de risco, regras de elegibilidade e condições de liquidez. A categoria vem ocupando posição de destaque na indústria e, conforme dados repercutidos pelo InfoMoney, alcançou patrimônio de R$ 819 bilhões em setembro, com crescimento também no número de carteiras.
Os ETFs, fundos de índice negociados em bolsa, aparecem na sequência, com captação líquida de R$ 42,5 bilhões no período. A classe reúne produtos com diferentes referências, estratégias e níveis de exposição a mercados. O resultado indica maior participação dos fundos de índice no fluxo de recursos, mas não significa que todos os ETFs tenham apresentado o mesmo comportamento. A rentabilidade e o risco dependem do índice seguido, dos ativos da carteira, da volatilidade do mercado e das condições de negociação.
Captação positiva convive com resgates em setembro
Apesar do saldo positivo no acumulado do ano, setembro foi marcado por saída líquida de R$ 29,8 bilhões da indústria, segundo dados da ANBIMA divulgados pelo UOL. Os fundos de renda fixa responderam pela maior parte dos resgates mensais, com retirada líquida de R$ 27 bilhões. Ainda assim, o resultado dos nove primeiros meses permaneceu positivo e superou o desempenho observado no mesmo intervalo de 2025.
Além dos FIDCs e ETFs, os Fundos de Investimento em Participações, os FIPs, acumularam R$ 39,1 bilhões em captação líquida. Os Fiagros registraram entradas de R$ 9,9 bilhões, enquanto os fundos cambiais tiveram captação de R$ 810,6 milhões. Esses dados mostram que o dinheiro novo não ficou restrito a uma única estratégia, embora a renda fixa tenha concentrado a maior parcela dos aportes realizados ao longo de 2026.
Ações e multimercados terminam o período no vermelho
Na outra ponta, os fundos de ações registraram resgates líquidos de R$ 10,9 bilhões entre janeiro e setembro. Os multimercados tiveram saída de R$ 9,3 bilhões, enquanto os fundos de previdência perderam R$ 12,4 bilhões no período. Mesmo negativos, os resultados de ações e multimercados foram menos desfavoráveis do que os observados nos nove primeiros meses de 2025, quando as retiradas dessas categorias haviam alcançado R$ 49,6 bilhões e R$ 57 bilhões, respectivamente.
O levantamento da ANBIMA também apontou desempenhos distintos dentro das categorias. Entre os fundos de ações, os produtos monoação tiveram retorno acumulado de 28,02% até setembro. Nos multimercados, o destaque foi a classe de juros e moedas, com rentabilidade de 10,25%. Como são médias ou resultados de grupos específicos, esses números não representam necessariamente o desempenho de todos os fundos disponíveis ao investidor.
Para o investidor, o retrato dos nove primeiros meses reforça a diversidade da indústria e a necessidade de observar as características de cada fundo antes de avaliar qualquer aplicação. Taxas, prazo de resgate, composição da carteira, tributação, concentração, risco de crédito e possibilidade de perdas podem variar significativamente. O desempenho passado de uma categoria não garante resultados futuros, e a captação líquida positiva do setor não equivale a uma recomendação de compra ou investimento em produto específico.