O médico especialista em diagnóstico por imagem, Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, expõe que apesar dos avanços na detecção precoce do câncer de mama, muitas mulheres ainda adiam ou evitam a realização de exames preventivos por medo, insegurança ou informações incorretas. Essas barreiras emocionais e cognitivas continuam sendo obstáculos relevantes para o sucesso das políticas de saúde, mesmo quando há oferta de serviços e exames disponíveis. Buscar informação qualificada e dialogar com profissionais de saúde é um passo essencial para transformar a prevenção em parte da rotina de cuidado.
O afastamento da prevenção raramente está ligado a um único fator. Em geral, envolve uma combinação de receios pessoais, experiências negativas relatadas por terceiros e mensagens contraditórias disseminadas em redes sociais e meios informais de comunicação. Esse cenário dificulta a tomada de decisão e contribui para atrasos no diagnóstico.
Como o medo interfere na decisão de procurar exames?
O medo do resultado é uma das razões mais frequentes para a postergação dos exames de rastreamento. A possibilidade de receber um diagnóstico de câncer gera ansiedade e, em alguns casos, leva à negação do risco, como forma de proteção emocional.

Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues alude que esse comportamento é compreensível, mas perigoso, pois o atraso na realização dos exames reduz as chances de detecção em fases iniciais, quando o tratamento tende a ser mais simples e com melhores resultados. O medo, nesse contexto, acaba funcionando como fator de risco indireto.
Para além destes fatores, há receio em relação ao próprio exame, seja por desconforto físico, seja por experiências negativas anteriores. Quando essas percepções não são discutidas com profissionais de saúde, tendem a se perpetuar e afastar a paciente da rotina preventiva.
Desinformação e mitos sobre mamografia e câncer de mama
Outro elemento que contribui para a baixa adesão à prevenção é a circulação de informações imprecisas ou distorcidas sobre os exames e sobre a doença. Mitos relacionados à segurança da mamografia, à radiação ou à suposta inutilidade do rastreamento em determinadas idades ainda são comuns.
A desinformação compromete a confiança nos métodos de prevenção e gera dúvidas que poderiam ser facilmente esclarecidas em consulta médica. Quando a paciente se baseia em fontes não confiáveis, aumenta a probabilidade de tomar decisões que não refletem as melhores evidências científicas disponíveis.
Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues reforça que conteúdos sensacionalistas sobre tratamentos e diagnósticos podem reforçar o medo e criar a impressão de que o câncer de mama é sempre sinônimo de sofrimento extremo, o que não corresponde à realidade dos casos detectados precocemente.
Importância do diálogo com profissionais de saúde
A consulta médica é o espaço mais adequado para discutir riscos, benefícios e dúvidas relacionadas à prevenção, principalmente tendo em vista que o diálogo aberto permite que a paciente compreenda o objetivo dos exames, a periodicidade recomendada e o que fazer em caso de resultados alterados.
Quando a mulher entende o processo de rastreamento e sabe o que esperar de cada etapa, a ansiedade tende a diminuir, e a adesão aos exames aumenta, demonstra Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, e ainda ressalta que a confiança na equipe de saúde é um fator decisivo para transformar a prevenção em hábito regular.
Esse acompanhamento também permite identificar situações específicas que exigem estratégias diferenciadas, como histórico familiar, alterações hormonais ou condições clínicas que demandam vigilância mais próxima.
Prevenção como atitude de cuidado, não de risco
Mudar a percepção da prevenção é um dos maiores desafios na saúde pública. Em vez de associar os exames ao medo do diagnóstico, é importante reforçar a ideia de que a prevenção é uma forma de cuidado ativo com a própria saúde.
Como expressa o doutor Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, enxergar a prevenção como parte do autocuidado contribui para decisões mais conscientes e menos baseadas em receios. A realização regular de exames permite acompanhar a saúde ao longo do tempo e agir de forma mais tranquila e planejada caso alguma alteração seja identificada.
Essa mudança de mentalidade também envolve reconhecer que o diagnóstico precoce amplia as possibilidades de tratamento menos agressivo e com maior preservação da qualidade de vida.
Informação como ferramenta de proteção e autonomia
O acesso a informações claras, baseadas em evidências e transmitidas de forma acessível é um dos principais instrumentos para superar barreiras emocionais e cognitivas. Campanhas educativas, orientação em unidades de saúde e conteúdos produzidos por fontes confiáveis contribuem para fortalecer a autonomia das mulheres em relação às decisões sobre sua saúde.
Portanto, quanto maior o nível de informação, menor tende a ser a influência de boatos e mitos que afastam a prevenção. A educação em saúde não apenas amplia o conhecimento, mas também fortalece a capacidade de avaliar riscos e benefícios de forma mais racional.
Transformar a prevenção em um comportamento regular depende de ações contínuas de informação, acolhimento e acesso facilitado aos serviços, destaca Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues. Ao reduzir o medo e combater a desinformação, cria-se um ambiente mais favorável para que as mulheres priorizem o cuidado com a própria saúde de forma consciente e segura.
Autor: Stanislav Zaitsev